Minha Casa Minha Vida cria regra em SP para população em situação de rua; CadÚnico e 6 meses de histórico entram nos critérios

Novo Fluxo da Minha Casa Minha Vida em São Paulo

A Prefeitura de São Paulo implementou um novo procedimento para a identificação, qualificação e classificação de indivíduos e famílias em situação de rua ou com experiência de vida nas ruas dentro do Programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). Essa iniciativa visa a inclusão social e a melhoria das condições habitacionais dos cidadãos paulistanos.

As regras estabelecidas foram divulgadas em 26 de agosto de 2026, sendo aplicáveis aos atendimentos do MCMV/FAR no município. A nova portaria determina que, para a habilitação, é necessário que os interessados tenham o cadastro atualizado, passem por uma análise socioassistencial e comprovem que atendem aos requisitos exigidos.

Além disso, será feito um registro do início da situação de rua para confirmar um histórico mínimo de seis meses, caso essa informação seja relevante para a análise da demanda.

Minha Casa Minha Vida

Critérios de Elegibilidade para Habilitação

Para que uma pessoa ou família seja habilitada no programa, é necessário que a seguinte condição seja atendida:

  • Estar em situação de rua ou ter uma trajetória de rua, sendo acompanhada pela rede socioassistencial de São Paulo, seja por meio da Proteção Social Básica ou Especial, ou em um programa de moradia temporária.

Outro requisito fundamental é ter o CadÚnico atualizado, que é o documento que coleta informações sobre o perfil socioeconômico dos cidadãos e suas famílias. É necessário que o indivíduo ou família integre o contexto do déficit habitacional local e respeite os limites de renda estabelecidos para a Faixa 1 Urbano.

Em 2026, o teto de renda para essa faixa foi estipulado em até R$ 3.200 de renda bruta familiar mensal.

Além dessas exigências, todos os demais critérios federais do Minha Casa Minha Vida permanecem válidos e serão considerados no processo de habilitação.

Contudo, a habilitação não significa que a entrega de um imóvel é automática. Todos os candidatos devem passar por um processo que requer a conferência de documentos, classificação e validação de informações.

Importância do CadÚnico na Seleção

O Cadastro Único é essencial para a inclusão de famílias no Minha Casa Minha Vida, pois fornece um perfil que permite ao governo identificar quem realmente necessita de ajuda no setor habitacional. A atualização deste documento é muito importante para o processo de seleção. Sem ele atualizado, os candidatos correm o risco de serem desclassificados.

Esse cadastro deve refletir a realidade social e econômica da família, garantindo que todos os membros sejam considerados na análise de elegibilidade. É imprescindível que a informação esteja correta e atualizada, uma vez que falhas podem levar ao não reconhecimento dos candidatos no programa.

Análise Socioassistencial: Passo Necessário

A análise socioassistencial é um passo crucial para garantir que os recursos do programa sejam direcionados a quem realmente precisa. Esse processo envolve uma avaliação detalhada da situação econômica e social da família, que inclui:

  • Aferição da renda mensal;
  • Verificação da situação de vulnerabilidade;
  • Análise do histórico de moradia;
  • Acompanhamento por parte da rede de serviços sociais.

A análise é realizada por profissionais capacitados, que coletam informações por meio de entrevistas e documentação apresentada. Essa avaliação não apenas assegura a transparência do processo, mas também auxilia na priorização das famílias que se encontram em maior estado de vulnerabilidade.

Histórico de Seis Meses: Comprovações Exigidas

Um dos requisitos para a habilitação é a comprovação do histórico de seis meses em situação de rua. O objetivo dessa exigência é garantir que aqueles que estão verdadeiramente em necessidade sejam priorizados.

A comprovação pode ser feita através de documentos, como:

  • Relatórios de assistência social;
  • Avaliações realizadas por instituições parceiras;
  • Cartas ou declarações de entidades que atestem a situação de rua.

É um processo que busca garantir que a seleção não só atenda ao critério formal, mas também considere as experiências vividas pelas famílias que ao longo do tempo precisam desse apoio.

Pontuação Cumulativa na Hierarquização da Demanda

A nova portaria estabeleceu um sistema de pontuação que visa a hierarquização das demandas. Cada aspecto de vulnerabilidade que uma família atende gera 1 ponto, com um limite máximo de 9 pontos por família. Essa pontuação permite que as situações mais urgentes sejam priorizadas no processo de encaminhamento.

As situações de vulnerabilidade que podem ser pontuadas incluem:

  • Famílias com crianças ou adolescentes;
  • Mulheres grávidas ou em situação de risco;
  • Pessoas com identidades de gênero diversas;
  • Idosos e pessoas com deficiência;
  • Histórico de trajetória de rua vinculado à rede de serviços ou moradia temporária;
  • Pessoas indígenas;
  • Participantes de projetos sociais ligados ao PNTC PopRua.

A mesma condição só pode gerar um ponto por família, mesmo que mais de um membro se enquadre nela. Em casos de empate na pontuação, outros critérios e até sorteio eletrônico poderão ser utilizados para a definição das prioridades.

Documentação Necessária para Inscrição

Para complementar a inscrição no Minha Casa Minha Vida, os candidatos devem apresentar uma série de documentos que atestam a identidade e a situação familiar. Os documentos exigidos incluem:

  • Identificação com foto;
  • CPF;
  • Folha-resumo do CadÚnico;
  • Comprovantes de residência e de renda;
  • Documentação que comprove os critérios socioeconômicos declarados.

Além disso, a lista de candidatos deve registrar a data de início da situação de rua, facilitando assim a verificação do tempo necessário para a concessão do benefício.

Transparência e Respeito à Privacidade dos Dados

Devido à natureza sensível das informações, a nova portaria estabelece que a tramitação dos dados pessoais tenha um caráter restrito. Isso significa que as informações dos candidatos devem ser tratadas com grande cuidado para preservar a privacidade e a segurança de cada indivíduo.

A divulgação das informações deve acontecer de forma a permitir a identificação apenas do candidato e a sua classificação. Isso garante que os dados sensíveis não sejam divulgados, respeitando a dignidade e a privacidade dos envolvidos.

Responsabilidade da COHAB-SP no Processo

A Companhia de Habitação de São Paulo (COHAB-SP) será encarregada de analisar a documentação apresentada pelos candidatos e também de realizar as entrevistas necessárias. Esse papel é fundamental para assegurar que o processo de seleção seja justo e transparente.

Após a identificação dos pré-habilitados, a COHAB-SP aplicará os critérios de priorização e pontuação, além de lidar com eventuais situações de desempate. Os resultados preliminares passarão por uma revisão antes da homologação final pela Secretaria Municipal de Habitação.

O Impacto das Novas Regras na Vida das Famílias

As novas diretrizes do Minha Casa Minha Vida têm o potencial de transformar a vida de muitas famílias que enfrentam a situação de rua. Com uma abordagem mais sistemática e inclusiva, espera-se que o programa alcance os cidadãos que realmente necessitam desse apoio, garantindo acesso à moradia digna e ao desenvolvimento de uma vida mais estável.

Esse tipo de mudança não apenas atende a uma necessidade habitacional, mas também desempenha um papel crucial na promoção da dignidade, inclusão social e no combate à desigualdade habitacional que permeia a cidade de São Paulo.

A partir desse novo fluxo, a Prefeitura de São Paulo reafirma seu compromisso com a melhoria da qualidade de vida de todos os seus habitantes, proporcionando oportunidades que favoreçam a inclusão e o bem-estar da população em vulnerabilidade.